Gerês no Outono

O outono é a minha estação preferida para fazer umas volta no monte. Desta vez a ideia era fazer cinco dias de travessia que acabamos por conseguir concluir em quatro com um longo ultimo dia de 35 kms.

Foram quatro dias sem ver um único montanheiro e com um tempo perfeito. No final foram 106 kms e 8000 metros de desnível acumulado.


Autumn is my favorite season to ride in the mountains. This time the idea was to do five days of crossing, that ended up able to complete in four with a long last day of 35 kms.

There were four days without seeing a single mountaineer and a perfect weather. In the end we did 106 km and 8000 meters of accumulated ascents and descents.

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ainda muitas uvas nas videiras

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excelente caminho com montes de sombra

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continua a degradação do edifício da porta da Paradela

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nova forma de marcar os percursos?

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montes de amoras… 

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uma perigosa cobra…

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… ou talvez não

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aqui o céu é sempre fantástico 

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com este tempo parece que estamos na primavera

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este caminho parece que vai fechar…

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não foi só em Portugal que ardeu bem este verão

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excelente varanda

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o inicio de outro dia

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um corço que nos passou à frente

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o bom tempo continua

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no cume mais alto do Gerês

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o terceiro dia acaba mais cedo para aproveitar o sol e descanso

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final de tarde fantástico!

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o inicio do quarto dia parecia ameaçar uma mudança

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mas afinal as coisas melhoram e o sol aparece

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é impossível perdermo-nos com estas mariolas

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como este verão tem sido seco encontrar agua não foi sempre fácil. ainda bem que o filtro anda connosco.

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um louva-deus escondido

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desta vez foram cabras selvagens a passar-nos à frente

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as nuvens parece que querem regressar

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lá para cima as coisas não querem limpar

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mais uma cobra mas desta vez não era pequenina e ficou à defesa mal nos chegamos perto

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últimos quilómetros já foram no escuro

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e já está!

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o resumo de de quatro dias

Picos da Europa 2016 – Dia 2

TORRE BLANCA – TORRE HORCADOS ROJOS

Numa decisão de ultima hora, e sem parceiro para escaladas, aproveitei dois dias para subir a alguns dos cumes mais altos do maciço central.

No segundo dia subi no teleférico de Fuente Dé em direcção à Torre Blanca subindo no regresso aos Horcados Rojos. Um dia de muito calor com temperaturas acima dos 30º.


In a last minute decision, and without partner for climbing, I took two days to ascend the some of the highest peaks of the Picos Europa central massif.

On the second day I went up in the cable car of Fuente Dé in the direction of Torre Blanca. In return climbed to Horcados Rojos. A hot day with temperatures above 30 degrees.

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mais um dia excelente e sem uma única nuvem

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a parede sul da Torre dos Horcados Rojos

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na porta da Cabaña Verónica

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e a vista…

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o primeiro objectivo para hoje lá no fundo

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seguir o caminho num caos caótico de blocos e fendas

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na Collada Blanca com vista para a Torre de Llambrion e o inicio do esporão da Torre Blanca

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e o caminho vindo da Cabaña Verónica e que atravessa os Hoyos Sengros

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no cimo da Torre Blanca com vista dos cumes do dia anterior

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um dos buzons existentes no cume

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e a foto da praxe

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o outro buzon

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nem uma única nuvem para o lado do mar e o Naranjo de Bulnes a espreitar

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a aresta que segue para a Torre de Llambrion com a Torre Sin Nombre em primeiro plano

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e toca a descer…

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os fantásticos fosseis que se encontram pelos picos

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de regresso à Cabaña Verónica e no fundo os Horcados Rojos, Peña Vieja e Peña Olvidada entre outros…

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frequentadissima subida aos Horcados Rojos

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no cimo com vista para a Torre Blanca

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e visão privilegiada dos cumes do dia anterior

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novamente o Naranjo de Bulnes

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e o buzon do cume

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agora só faltava descer, esperar uma hora para ter lugar no teleferico e hidratar que com o calor a agua acabou no cimo dos Horcados

Picos da Europa 2016 – Dia 1

TIROS NAVARRO – PICOS STA. ANA – PEÑA VIEJA

Numa decisão de ultima hora, e sem parceiro para escaladas, aproveitei dois dias para subir a alguns dos cumes mais altos do maciço central.

Saindo do teleférico de Fuente Dé no primeiro dia dediquei-me à zona da Peña Vieja, mais próxima mas mais alta de uma forma geral.


In a last minute decision, and without partner for climbing, I took two days to ascend the some of the highest peaks of the Picos Europa central massif.

Leaving the Fuente Dé cable car on the first day I dedicated to the area of Peña Vieja, closer but higher in general.

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Peña Remoña vista do teleférico

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Um excelente amanhecer após dois dias de tempo coberto e alguma chuva

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Vista para o teleférico já do canal da Canalona

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Tiros Navarro do colado da Canalona

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Na parte mais “técnica” da subida

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No cume norte dos Tiros Navarro com o cimo sul por trás

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Vale de Las Moñetas com os prados de Aliva e o maciço oriental

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Foto da praxe

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Picos Sta. Ana e o conhecido Esporão Rojo na penumbra

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Naranjo de Bulnes escondido e Peña Castil

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Peña Vieja

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Próximo objectivo: Picos Sta. Ana

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Este ano muitos neveiros ficaram todo o verão

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Subida ao Pico Sta. Ana oeste com algumas passagens mais aéreas

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Peña Vieja, Peña Olvidada e La Vueltona com todo o caminho para a Cabana Veronica

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Vista para sul: Torre Altaiz, San Carlos, Madejuno, etc.

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Pico Sta. Ana oeste

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Mais um dos passos. Neste até tem uns cordinos que permitem segurar o passo ou rapelar os próximos passos da descida

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Os dois cumes dos Picos de Sta.Ana

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Cume Este

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Siga para Peña Vieja

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Caminho que liga La Vueltona às minas de Altaiz

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Sempre à nossa volta…

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Tiros Navarro e o Naranjo de Bulnes agora mais à vista

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Torre Cerredo ao fundo

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Da esquerda para a direita entre outros: Torre Palanca e a sua face norte, Torre Las Llastrias, Llambrion e o objectivo do dia seguinte Torre Blanca

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Lá no fundo, a já no maciço ocidental, a fantástica face sul de Peña Santa de Castilla que escalei há uns anos

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Cimo de Peña Vieja. Há um ano estava a chegar aqui vindo do Esporão dos Franceses

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Puertos de Aliva

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Já na descida novamente no canal da Canalona

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Agulha de Bustamonte, a minha primeira escalada no Picos da Europa

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O prémio já no teleférico

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900 gr de abrigo | 900 gr of shelter

Com base na pirâmide (um dos desenhos mais resistentes ao vento) e em algumas tendas com excelentes referencias no mercado do material light, desenhei e construí uma das tendas com interior mais leve que conheço (mas ainda longe de algumas verdadeiramente leves 🙂 ).

Com 900 gramas (tudo incluído) esta tenda usa os bastões (que habitualmente já transporto) como sustentação. Construída com silnylon e uma coluna de agua de mais de 5000 mm garante-me protecção em condições bem adversas.

Sem interior de rede e só com chão de impermeável tem espaço para duas pessoas.


Based on the pyramid shape (one of the toughest designs in the wind) and in some tents with excellent references in the light equipment market, I designed and built one of the lighter tents I know with this shape (but still away from some truly light :)) .

With 900 grams (all inclusive) uses trekking poles as support. Built with silnylon and a water column of more than 5000 mm assures me protection in adverse conditions.

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Peña Ubiña – Corredor del Pilar e Corredor de la Aguja

Excelente fim de semana para terminar o inverno (será ??). Corredor del Pilar na face sul da Ubina com neve a sofrer as consequências dos anteriores dias com chuva mas mesmo assim ainda bem formado. O corredor da la Aguja na face Nordeste com excelentes condições a zona do diedro bem formada. Algo completamente fora do habitual em finais de Abril.

Climbing in Peña Ubiña, north of Spain.

Volta na Serra da Peneda – Parte 3 (Trail in the Gerês National Park)

A three-day tour, 90 kms and a total of accumulated ascent and descent of 5600 meters of desnivel at Peneda-Geres National Park. In this article photos and description of the third day.


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O dia já começa com as rotinas: levantar às 7 horas, tratar do pequeno-almoço, arrumar e arrancar por volta das 8:30. Sem pressas mas sem pausas. Hoje está mais frio e nota-se na condensação no interior da tenda.

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O prado também é mais aberto e exposto o que aumenta a descida da temperatura. Novamente para começar o dia temos uma subidinha. Mas hoje sabe bem o corta-vento que tenho vestido. Desde que comecei a usar este tipo de vestuário ele passou a ser obrigatório na minha mochila. Leve, sem ser quente, protege o essencial e é ao mesmo tempo bastante respirável.

 

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Passo a casa abrigo e agora é quase sempre a descer até ao Soajo. Pelo caminho ainda passo pelo parque de campismo da Branda de Travanca – infelizmente fechado grande parte do ano – e pela Porta do Mezio – um dos maiores gastos que conheço no PNPG.

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Pelas placas que existiam durante a construção foram mais de 2.500.000€ em montes de edifícios, sendo que alguns deles têm aspecto de nunca terem tido nada nem ninguém. É curioso que se gaste tanto dinheiro neste tipo de construções e depois se diga que não para replantar as zonas que tem ardido nestes últimos anos ou para ter mais vigilância na área do parque….

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Ao contornar a vedação existente encontramos mais uma situação sem sentido: um bar montado em dois edifícios de madeira com um aspecto meio decadente. Meio de tantos edifícios construídos dentro da área da porta (eu contei pelo menos set ou oito) não fazia mais sentido ter esta oferta instalado num deles e incentivar que as pessoas visitassem a zona da porta?

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O que vale é toda a envolvência deste local e o pedaço de vale por onde se inicia a descida para o Soajo. Milagrosamente este bosque tem-se safado dos incêndios que tem fustigado toda a parte superior e que continuam por reflorestar. Entramos por um bosque que permanece na penumbra graças às árvores que tapam fechado pelas árvores que tapam quase a totalidade do sol mas que também dão origem a enormes contrastes.

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Infelizmente este local também não escapou ao vandalismo de um louco a quem as marcas do trilho da Peneda não chegavam e então pintou setas em muitas das arvores deste bosque. Passamos nas traseiras das cavalariças que parecem que voltam a ganhar vida após alguns anos de abandono e seguimos para a aldeia de Vilar de Soente.

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Apesar de supostamente continuarmos no GR da Peneda deixamos de ter qualquer tipo de marcas. Ao chegar perto do Soajo decido tentar seguir para Entre-Ambos-os-Rios. Lá descubro uma passagem entre antigos caminhos meio fechados pelo mato e chego a Ermelo e à ecovia do rio Lima.

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Esta ecovia, que segue junto à margem, tem umas vistas fabulosas sobre a bacia da barragem de Touvedo. Infelizmente o projeto termina no meio do nada. Apesar de ser uma excelente ideia que aproveitou alguns antigos caminhos, esta ecovia possivelmente teria chegado ao muro da barragem ou pelo menos a Garção, se fosse menos pomposa para o uso que tem. Infelizmente algum abandono está a fazer as suas mostras e algumas estruturas já foram roubadas ou estão podres.

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No entanto é precisamente um antigo caminho que nos liga a Garção e é através de outras ligações que já tinha percorrido há uns tempos que chego à barragem.

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Tal como dessa vez só me falta uma parte chata do percurso: fazer os quatro quilómetros pela estrada que me separam do parque de campismo de Entre-Ambos-os-Rios. Mas a paisagem compensa e os poucos carros que passam tornam mais suportável a questão de estar a andar junto ao alcatrão. Já no parque tento consultar a previsão do tempo na internet.

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O que suspeitava pelas nuvens que foram entrando ao longo do final do dia confirmasse. O tempo vai mudar e é já para o dia seguinte com mais nuvens durante a noite e chuva nos três dias seguintes.

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Não apetece estragar os excelentes dias que tenho tido por isso acabado por tomar a dolorosa decisão de me meter no carro e regressar a casa.

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Consigo um táxi para não ter que fazer os 17 km de alcatrão que me separam do Lindoso e regresso a casa. No dia seguinte as previsões confirmam-se e a opção de vir embora foi efectivamente uma boa decisão…

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Volta na Serra da Peneda – Parte 2 (Trail in the Gerês National Park)

A three-day tour, 90 kms and a total of accumulated ascent and descent of 5600 meters of desnivel at Peneda-Geres National Park. In this article photos and description of the second day.

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Sete da manhã e toca o despertador. Ainda está uma penumbra e o dia começa a nascer.

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nascer do sol sobre Penameda

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serra da Peneda

O sitio onde montei a tenda não é o melhor. Por várias vezes tive que acordar e me mudar para não sair para fora da tenda. Arrumar tudo, comer e são 8:30 já estou a andar. E para aquecer os músculos não há nada como uma subidinha.

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represa

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cimo da subida

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objectivo de hoje lá ao longe

Contorno a Penameda e desço para a Bouça dos Homens. O dia está mais fresco do ontem o que torna o andamento mais agradável. Contra o que é habitual encontro pelo caminho gente jovem a tratar do gado.

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Bouça dos Homens

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Passo esta simpática aldeia, que noutros tempos deve ter feito juz ao seu nome, e sigo pelo estradão que dá acesso à Mamoa do Batateiro, mais um exemplo do abandono da nossa cultura. Apesar de completamente vedada o portão está aberto.

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Continuo pelo estradão, que por vezes está tão mau que não sei como se consegue aqui passar. As águas das chuvas tem feito os seus estragos ao longo dos anos e ninguém os repara. Por outro lado nas suas laterais os pinheiros e cedros, que apesar plantados ainda em tempos que o parque não era parque, tornam o local formidável e são as praticamente as únicas árvores que se mantém.

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não faltam cogumelos

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já lá longe a Bouça dos Homens

Chego á pequena represa, que noutros tempos deu água à Branda da Aveleira. Excelente sitio para ficar. Mas desta vez a paragem é breve. Aproveito para atestar de agua, comer algo e sigo.

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lobo?

Continuo pelo estradão, passo o desvio para a Branda de Bosgalinhas e mais à frente o local considerado como a nascente do rio Vez. Próximo objetivo: cimo da Penda.

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nascente do Vez

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um dos enorme fojos dos lobos

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Pela primeira vez nesta marcha vejo cavalos. Já estava a estranhar a sua ausência. Chego ao grande marco da Peneda, que curiosamente está fora das fronteiras do parque, e aproveito a vista. O dia está limpo e a vista vai até muito longe. Uma paragem para carregar o corpo com algumas calorias e agua.

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capela de Sto. Antonio do Monte e S.Bráz

A partir daqui, e por algum tempo, será só a descer. Não falta agua na serra e em todo o lado o verde da relva contrasta com os castanhos das folhas. Vou passando pequenas brandas: Arieiro, Cerradinha, Lamelas,… locais convidativos para ficar… mas terá que ser para outra vez. Todas são engraçadas mas a de Lamelas, envolta em grandes cedros, tem um especial encanto.

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Chego a Lordelo e inicio a abrupta descida para Carvalheda, pequena povoação perdida junto ao rio Ramiscal e hoje abandonada, seguindo o velho caminho que se mantém activo graças do GR que por lá passa. Junto à aldeia uma ponte permite passar o rio. No seu leito podemos observar restos de outras pontes arrastadas pelas forças das aguas. A montante as encostas são tão fechadas e cobertas de vegetação que é difícil imaginar que passe por aí algum caminho. Mas passa.

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descida para rio Ramiscal

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rio Ramiscal

Até agora vim a descer mas depois da ponte a subida para Avelar muda os músculos usados. Sigo novamente o trilho da Peneda e depois de passar Avelar alcanço o estradão que segue para a Branda de Travanca e o Mezio.

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Lordelo mais alto e Carvalheda em baixo

O dia já vai longo e lá arranjo um prado, com vista para um fantástico por do sol, onde monto a tenda. Deste lado a serra está mais seca e os locais para abastecer estão menos frequentes.

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Como companheiros de noite tive uma manada de cavalos que também escolheu este prado para descansar. Felizmente não se lembram de vir comer para junto da tenda. O mesmo não aconteceu com os mosquitos e acabei por ter que me fechar dentro da tenda para conseguir jantar descansado.

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resultados de dois dias de volta

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Volta na Serra da Peneda – Parte 1 (Trail in the Gerês National Park)

Eram 13 horas quando saía do Lindoso. Uma hora vergonhosa para começar uma marcha. E mais estando previsto 25 km para esse mesmo dia.

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tudo pronto?

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 saida do Lindoso…

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… com vista para os conhecidos espigueiros

Mas a desculpa sempre: a alguma coisa que ficou por fazer. Lá arranco para o primeiro estradão: 7 km de alcatrão que ligam o Lindoso à aldeia de várzea. Antigamente está ligação era um caminho de terra batida mas agora da paisagem que temos do lado da barragem.

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as cores do outono

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a barragem do Lindoso em plena descarga

Chegados à várzea toca a seguir o trilho para a mistura de águas.  Infelizmente a parte do caminho que passa por baixo da aldeia acumula o lixo que é largado nas rua de cima. Estamos num parque nacional que é noticiado por todo o  mundo mas eu não consigo ver isto, por exemplo, nos nossos vizinhos espanhóis. É habitual nas nossas aldeias encontrar lixo nas partes mais baixas arrastado pelas chuvas. Será que não era mais importante fazer educação ambiental nas populações do que estar preocupado em proibir ou quer controlar as marchas feitas por quem recolhe todo o lixo que faz e por vezes o que lá encontra?

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dado que a barragem está baixa aparecem curiosos desenhos

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e antigas construções

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o “monstro” vai atacar

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a aldeia de Várzea

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e actual estrada de acesso junto à água

Lá continuo pelo trilho até ao local até à “Mistura de águas”, curioso nome para o local onde se juntam os rios Peneda e Laboreiro e até onde chega hoje as aguas da barragem do Lindoso. Mas mal chego tenho uma desilusão.

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a caminho da “Mistura de Águas”

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e cá está ela bem carregadinha

Os meus planos eram seguir o rio Laboreiro mas as chuvas dos últimos dias tornaram isso impossível. Os rios estão demasiado carregados e apesar de procurar ao longo das margens não consigo encontrar uma travessia segura, muito menos para quem está sozinho. Infelizmente a ponte construída em Portugal e Espanha há uns anos não serve para nada. Entre o local que estou e a sua localização tenho o rio Peneda pela frente. Questiono-me porque diabo terá ela sido construída! Situação? Voltar para trás? Ou aproveitar o bom tempo e “inventar” outra volta?

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o vale de acesso a Tipo dominado pela maior parede de Portugal: a Nédia

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para que não haja duvidas

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Optei pela segunda! Toca a virar para Tibo e seguir o rio Peneda. O caminho está bastante molhado e muitas partes com autênticos rios. Também se nota que ele começa a fechar em alguns troços. Chego a Tibo. E agora para onde sigo?

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depois das chuvadas à cogumelos por todo lado

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a Nédia com os seus 500 metros e muitas recordações

Decido virar para a Sra. da Peneda já que nunca fiz esta parte do rio. Nas margens do rio nota-se o caudal e a violência que este teve há muito pouco tempo. Mas também a quantidade de lixo que este trás. É impressionante como um rio com mais de 15 kms de vida até este ponto pode trazer tanto lixo. Nas grades dos campos que ladeiam o rio parece que estiveram a estender a roupa velha. Tirando este importante à parte o caminho velho que liga as aldeias, perdido por entre encostas  e pinheiros, é extremamente bonito.

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a força das águas já conseguiu destruir novamente os degraus de acesso desta ponte

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e encher as cercas de lixo

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um curioso moinho a meio do vale

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Chego  à Sra. da Peneda de uma forma completamente diferente para mim, e que me faz recordar como seria a entrada do peregrinos à cerca de um século atrás. Atravesso o pátio dos antigos quartelos agora transformados em alojamento. É pena que prefiram manter o preço alto que praticam do que ter o espaço alugado. E a antiga casa da guarda-fiscal podia funcionar como um refúgio mas só é possível alugar se for um grupo grande….

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antigos caminhos…

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de acesso à Senhora da Peneda

Agora só falta a ultima parte: subir até à lagoa. Uma subida para “aquecer” o final do dia. No meio do lusco-fusco lá vejo os tubos para o novo aproveitamento elétrico da Peneda.

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as ultimas luzes do dia

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enquanto o jantar fica pronto

São já oito da noite quando chego e já só consigo ver uma leve luz a bater na água da lagoa completamente cheia que contrasta com a visão de há uns meses quando a esvaziaram totalmente. Toca a a preparar as coisas para o jantar e descansar que o dia amanhã vai ser longo.

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registos do dia

Peña Vieja – Esporão dos Franceses (Picos da Europa – parte 2)

Depois de termos realizado a via Pidal-Cainejo no Naranjo de Bulnes o tempo mudou tal e qual estava previsto. Nos três dias seguintes a instabilidade, com nuvens nas montanhas e alguns períodos de chuva, foi a tónica. Aproveitamos para descansar alguma coisa, fazer as habituais compras e realizar o trilho dos Lagos de Covadonga. Mas também para mudar a estadia para o lado sul de forma estarmos perto do nosso próximo projecto: o Esporão dos Franceses em Peña Vieja.

Trata-se de uma via longa, com cerca de 1000 metros, não muito difícil, mas complexa, que exige uma leitura dos lances de forma a nos enganarmos. É também uma via onde o abandono pode ser complicado, com poucas escapatórias, sendo que a partir de determinado momento, a forma mais fácil é sair por cima. Podemos dizer que é composta por duas partes. A primeira de escalada “pura e dura”, com cerca de 700 metros, seguida por uma outra fácil mas longa e onde encontrar o caminho pode ser ainda mais difícil do que encontrar a via na parte inferior.

Antes de avançarmos ainda fomos no dia anterior dar uma volta com a família pelos prados de Àliva e aproveitar para espreitar a via. Conforme tivemos oportunidade de comprovar, quando estamos na base não temos a ideia  do tamanho da segunda parte. Ainda podemos observar uma cordada a terminar a parte superior, passar os gendarmes e a chegar ao canal de saída. Contrariamente ao que encontramos no Naranjo de Bulnes não é habitual partilhar a via com mais cordadas. A escalada de montanha que gostamos.

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Infelizmente os horários do teleférico de Fuente Dé não são favoráveis para quem quer subir cedo para escalar. Se queremos madrugar somos obrigados a subir no dia anterior e dormir perto da base. Como estávamos com um jeep tivemos a sorte de ter uma parceira condutora que se levantou cedo para nos deixar na base e aproveitar para dar umas voltas. E que voltas…

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Eram 9 horas estávamos na base do esporão a decidir-nos se iamos para cima ou não. O dia tinha amanhecido com montes de vento, algumas rajadas ainda nos abanavam, e as nuvens brincavam no céu tapando o sol de vez em quando.

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As previsões indicavam que, se chovesse, seria já no inicio da noite. No entanto este inicio da manhã não dava segurança nenhuma. Sendo uma via onde escapar seria complicado mais duvidas nos deixava.

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Inicio do 1º lance

Lá acabamos por arrancar e iniciar o primeiro lance, fácil, mas já com a tónica de toda a via: por onde será o próximo lance?. Acabou por ser o único lanço de escalada onde tivemos que fazer uma correcção e voltar a descer uns metros para iniciar a travessia do 2º lanço. Também houve outra situação que tivemos que ajustar. Estando nós com cordas de 60 metros acabamos conseguir, em algumas partes, juntar dois, e mesmo três lances, dos croquis mais antigos.

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Segunda reunião já depois da primeira travessia

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Inicio 3º lance

Sendo uma via com mais de 40 anos, onde se procurou seguir as fragilidades da parede, é importante ir subindo com atenção e não ir atrás de todos os pitões ou pontos fixos que encontramos. Tivemos esse exemplo logo na reunião no fim do 1º lance. Daqui víamos pelo menos uma reunião e alguns pontos a meio de uma placa que nos pareceu bem mais difícil do que os graus que era suposto atravessarmos. Acabamos por seguir por uma zona mais acessível e onde os pitões também existiam, mas não se viam da reunião.

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3º lance e antes da segunda travessia

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Os lances vão se seguindo a bom ritmo (para quem não conhece a via), e o vento continua. Felizmente, e por uma troca de ultima hora, ambos trouxemos rádios. E que jeito nos deram! Com o vento houve alturas que não conseguíamos ouvir-nos um ao outro e termos forma de comunicar facilitou enormemente. Além que a nossa boleia-montanheira conseguiu falar quase sempre com um de nós durante as suas voltas em torno da Peña Vieja.

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Segunda travessia

Chegamos à segunda travessia que nos coloca novamente no “fio” do esporão. É curioso que em vários croquis encontramos como “travessia exposta”. Ficamos sem saber porquê já que, para além de bastante acessível, proteger não é propriamente difícil.

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Na reunião por cima do “El Dado” e todo o vale de Àliva por trás

A travessia deixa-nos em cima de um enorme bloco de rocha conhecido como o “El Dado” que serve de referencia na via. A partir deste local a via segue o esporão com uma notória tendência pela lago esquerdo.

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No 5º lance

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Acima do V+ do 6º lance

No 7º e 8º lance a via segue mais próximo da ponta do esporão e a rocha piora de qualidade. Aqui encontramos bastantes blocos soltos e mais dificuldade em montar as reuniões.

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Vista para a reunião do 7º lance

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7º lance, mesmo na aresta

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Na sétima reunião

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Saída para o 8º lance

Apesar de em determinada altura o céu ter estado de tal maneira coberto que achamos que não íamos ter tempo para sair da parte de escalada, o tempo foi-se aguentando e chegou mesmo a voltar o sol para nos aquecer do vento frio.

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Chegada à 8ª reunião

Pelas nossa contas, e considerando os lances usando cordas de 60 metros, faltava-nos dois lances para alcançar os dois gendarmes de saída. Um era um conhecido lance de placa sobre os característicos canalizos dos picos, e o outro acabou por ser o lance, não mais difícil, mas o que tem mais continuidade de toda a via.

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Inicio do 9º lace

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Na saída

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No diedro de inicio do 10º lance

O horário estava razoável, o tempo aguentava-se e até o vento parecia quer acalmar. Tudo parecia conjugar-se para chegarmos ao cume dentro do previsto. Estávamos no cimo do esporão e por baixo de nós estendia-se os prados de Áliva com o seu refugio-hotel e o conhecido Refugio do Rei (que afinal não tem nada a ver com os réis de Espanha como pensávamos mas é sim propriedade do governo autónomo das Astúrias).

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Chegada à 10ª reunião

Faltava-nos os dois lances que contornam os dois gendarmes que se destacam no cimo do esporão. Aqui a rocha volta a piorar e as protecções são praticamente inexistentes. São, contudo, dois lances bonitos em especial o ultimo sobre o rocha laranja.

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Saida da 10ª reunião

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11º lance que termina na base do primeiro gendarme

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Ultimo lance da parte de escalada

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Acabando o esporão propriamente dito, seguimos um evidente canal ascendente e com passos de IIº grau, que nos deposita na aresta com vista para os canais de la Mina e del Vidrio.

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Daqui continuamos pela aresta até a um rappel para um colo com local de vivac que é referencia nas ascensões invernais. Neste local voltamos a encontrar algumas marcas brancas que esporadicamente fomos encontrando ao longo da via mas que infelizmente não são continuas nestas zona de trepes e destrepes. Assim outros escaladores acabaram por colocar mariolas (pedras sobre pedras a marcar o caminho) que nem sempre vão por deveriam.

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No rappell da aresta

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Confiando numa dessas mariolas acabamos por seguir pelo fio da aresta, com montes de trepes, destrepes e rappeis, e acabamos por perder horas naquilo que devia ser uma ascensão relativamente “fácil”. Após um rappel para um colo, e vendo que a aresta continuava a não ter o aspecto devido, descemos mais na face do Canal de la Mina para tentar outra solução.

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O Naranjo de Bulnes a espreitar

Lá acabamos por dar caminho já na penumbra do final do dia. Este sim, condizia com as informações que disponhamos, mas contornava muito mais abaixo toda a parte de aresta onde tínhamos estado.

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Já na tão procurar “vira”

Mais uns canais e alcançávamos o cimo de Peña Vieja. Não de dia, como estávamos a pensar, mas pelo menos umas quatro horas mais tarde.

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Finalmente o cimo!

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Faltávamos ainda as cerca de duas horas de descida, novamente envolvidos no vento que se voltou a levantar. Na descida do canal de Canalona tivemos mesmo que nos segurar para nos mantermos de pé. Já passava da meia-noite quando entramos novamente no jeep para descer ao parque. Isto sem deixar de dar boleia a um casal de espanhóis e ao seu filho que se aventuraram a subir aos Horcados Rojos depois de almoço que acabaram por perder o ultimo teleférico. Eles preparavam-se para descer a pé pelo estradão até Espinama, e depois a Fuente Dé para ir buscar o carro, mas saiu-lhes a sorte grande ao encontrar a nossa condutora-montanheira.

Temos que agradecer a ela a paciência de ter esperado por nós e à outra mamã de ter tomado conta de toda a criançada ao longo deste dia.

Infelizmente os dias livres terminavam e restava-nos arrumar as coisas e regressar a casa.

Naranjo de Bulnes – Via Pidal-Cainejo (Picos da Europa)

Este ano o objectivo das férias foi rocha. Apesar de partilhadas com a família, a ideia em mente era tentar alguns projectos que, por um motivo ou outro, foram sendo adiados ao longos dos anos.

Sabendo que o tempo caprichoso dos Picos da Europa nem sempre permite levar avante a totalidade das nossas ideias, íamos mentalizados para “vamos indo e vamos vendo”.

Depois de assentarmos acampamento resolvemos avançar primeiro com um projecto familiar – fazer a Ruta del Cares e os seus 12 kms. Bom para aquecer. Aproveitando a linha de camionetas disponível pela Alsa, que permite realizar o percurso no sentido Caín – Poncebos sem ter que andar às voltas com os carros ou ter que fazer o percurso duas vezes, percorremos este fantástico vale. Não sei já quantas vezes lá estive mas parece que existe sempre uma perspectiva que ainda não tinha visto, um canal que daria para uma futura subida ou algo de novo para ver.

No dia seguinte era altura para subir. As previsões meteorológicas eram que o tempo iria piorar uns dias depois, por isso adiantamos o que tínhamos em mente e fomos directos para o Naranjo.

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A via que queríamos fazer, está localizada na face Norte e comemora este ano 111 anos da sua primeira ascensão por Pedro Pidal y Gregorio Pérez “el Cainejo”. Não deixa de ser um ano com um número engraçado para tentar cumprir um projecto. A Pidal-Cainejo foi a primeira via aberta neste fabuloso monólito de calcário que se destaca no meio do maciço central dos Picos da Europa. Uma obra prima de escalada e de visão que me fez ver que eu não escalo nada! Há uns anos atrás o programa Al Filo del Imposible realizou uma reconstituição que demonstra fielmente a corajosa aventura que terá sido a primeira ascensão desta via e toda a sua história.

Subimos no final do dia de forma a aproveitar a temperatura mais baixa. Quando chegamos a Pandébano, local habitual onde ficam os carros, o problema foi onde estacionar. Nunca tinha estado aqui com tantos carros. Isto confirmou a nossa opção de nem sequer tentar dormir no refúgio e bivacar. Acabamos por o deixar centenas de metros abaixo do local habitual, encostado na berma da estrada como outros tantos.

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Manjada de Terenosa

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Colado de Pandébano com Peña Main ao fundo

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a característica chaminé da Pidal-Cainejo

Chegamos a Vega de Urriellu já no lusco-fusco. Como sempre o ambiente à porta do refugio estava animado, com a imponente face Oeste mesmo por cima.

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os últimos metros parecem sempre quilómetros

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Como não podia deixar de ser encontramos dois amigos portugueses que também tinham ideia de subir o Naranjo, mas pela face Sul. Infelizmente quando chegamos a Portugal soubemos que devido a um problema de material não tinham conseguido. Mas ele não sai de lá por isso…

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Montamos o bivaque, jantamos e toca a dormir que amanhã o dia ia ser longo. Acordamos cedo para tomar pequeno almoço e iniciar a subida pelo sempre penoso Canal de La Celada.

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Ao chegar ao cimo ainda demos uma vista de olhos à frequentada face Este percorrida por conhecidas vias como a Cepeda ou a Amistad con el Diablo.

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O dia não podia estar melhor. Começamos a preparar-nos mas depressa percebemos que, contrariamente ao habitual, a via estava super procurada neste dia.

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primeiro lance

Desde o inicio as esperas nas reuniões foram a tónica da subida. Muita gente, gente lenta, pessoas só habituadas a escala desportiva, enfim um pouco de tudo que no final acabou por nos atrasar umas horas ao horário que tínhamos previsto.

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primeiro lance

Felizmente, e contrariamente à maioria das cordadas, para nós proteger com material não era problema e assim não tinhamos que estar à espera, ou a monte, nas reuniões de pitões que existem em praticamente toda a via.

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segundo lance

A via está bastante “equipada” com pitões nos sitios principais. Isto apesar de alguns deles estarem lá a inspirar uma falsa segurança já o seu posicionamento evidente idade possivelmente não aguentariam uma queda. No entanto é possível proteger usando entaladores com relativa facilidade.

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“não há uma vaguinha?”

Conforme nos vamos aproximando da entrada da característica chaminé norte a torna-se difícil ultrapassar outras cordadas, e o primeiro esperar nas reuniões para poder puxar o segundo, tornou-se rotina.

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chegada às fissuras que dão acesso à chaminé.

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no inicio do lance das fissuras

Conforme vamos subindo é impressionante o que à 111 anos atrás, sem entaladores, pés-de-gato, croquis, fotografias ou sequer pitões, unidos por uma corda de cânhamo e muita vontade, dois homens subiram (e desceram pelo mesmo percurso a destrepar!!!) ao cimo do que, até à altura considerado inacessível, Naranjo de Bulnes. Só mesmo depois de fazer esta via é que possível perceber o valor daquela escalada no ano de 1904.

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o primeiro acima da famosa “panza de burra”, local onde os primeiros escaladores estiveram quase para voltar para trás. 

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uma das cordadas abaixo. Um simpático casal alemão que vive em Espanha

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final das dificuldades

Após acabarem as dificuldades restam 3/4 lances (ou um e algumas dezenas de metros de cordada em movimento, como foi o nosso caso) para chegar ao cimo. Nesta parte aumenta o número de pedras soltas e também o cuidado para não soltar nenhuma. Qualquer coisa que cai terá como destino a chaminé e as cordadas que lá estejam.

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a metros do cume

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o cimo e a famosa santa

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a indispensável foto de cume

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ao fundo dois espanhois já a descer para os rappeis da face sul

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os moradores permanentes destes cumes

Após as habituais fotos de cume falta-nos ainda descer para a face sul e alcançar os seus rappeis. Para quem não estiver habituado esta pequena “viagem” pode ser a parte pior de toda a escalada. Apesar de simples, este destrepe não permite falhas. Além do cuidado para não cair volta a existir o problema das pedras soltas. Ainda bem que por cima de nós não estava a descer ninguém como já tive a infelicidade de apanhar.

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Ainda ajudamos uma cordada espanhola que descia com uma única corda de 70 metros e não sabia onde eram os rappeis e se a corda chegava.

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a última vista com luz

A nossa intenção era voltar carro nesse mesmo dia, pelo que foi chegar ao refugio, carregar o resto do material e continuar a descer. As horas perdidas à espera na via tinham-nos atrasado bastante e a descida acabou por já ser de noite. O dia já ia longo quando chegamos novamente ao parque de campismo. Mas ainda tivemos tempo de fazer uma comemoraçãozita a meio do caminho!

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