Mulhacen – objectivo cumprido!

Em Junho passado participei num excelente projecto do Núcleo Jovem da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP): levar um grupo de jovens com diabetes tipo 1 ao cume mais alto da península ibérica, o Mulhacén na Serra Nevada com 3478 metros de altitude.

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Para quem não sabe (como eu também não sabia) nos diabetes tipo 1 o organismo deixou de produzir (o que pode acontecer por vários motivos) qualquer tipo de insulina. Nos doentes de tipo 2 existe uma produção que pode ter muitas variantes. Assim quem diabetes tipo 1 tem que administrar insulina e gerir essa dose conforme o que faz diariamente: comer, dormir, exercício físico, etc. Isso tornava a actividade desafiante pois nenhum dos participantes, para além das actividades de preparação efectuadas (ou em alguns casos o desporto praticado), nunca tinha estado tão alto nem feito montanhismo. Para além de algum risco na adaptação à altitude o controle dos valores da insulina tiram que ser ajustados conforme a nova realidade.

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E houve um pouco de tudo: excelentes adaptações, situações assim, assim, “ipós” e um ligeiro mal estar com a altitude rapidamente resolvido com uma aspirina e a descida após o cume. A acompanhar todas as evoluções tínhamos uma equipa de televisão que no final realizou um documentário sobre a actividade. Quem quiser pode vê-lo aqui.

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Após a longa viagem de Lisboa chegamos à pitoresca vila de Capileira na base da Serra Nevada. Esta vila representa bem as povoações do interior do sul de Espanha. Apesar de muito turística manteve bem os traços arquitectónicos e o tipo de construção da zona. A pernoita na noite antes subida foi num novo e excelente hotel que, à semelhança de muitos outros alojamentos desta área, é gerido por estrangeiros do norte da Europa. A sua presença nas ruas destas vilas é facto que rapidamente detectamos. Não são os habituais turistas de ferias. Em muitos deles, com um característico aspecto hippie, é evidente que procuram a zona como local para viverem.

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Mulhacen_ (05)Para a subida percurso escolhido foi o que sai do Alto Chorrillo, local onde se chega num autocarro controlado pelo parque natural, e que poupa um desnível de mais de 1300 metros desde a vila de Capileira, local onde dormimos. Daí “restava” subir os cerca da 780 metros por toda a lomba que dá acesso ao cume, com várias paragens para os controles e a uma velocidade adaptada aos que se debatiam com mais dificuldades.

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Mulhacen_ (12)Do cume descemos ao refugio de Poqueira, onde não conseguimos chegar sem a chuva que já ameaçava desde que estávamos no cume nos alcançar. Fruto do enorme calor que se fez sentir esses dias, as trovoadas habitais dessas condições não podiam deixar de se sentir, e nós agradecemos já estarmos bem cá para baixo quando elas apareceram nos pontos mais altos.

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Mulhacen_ (20)Este refugio é bastante grande e deixa-nos adivinhar como deve ser óptimo fazer umas voltas de ski de travessia aproveitando as neves do inverno. A paisagem é fantástica e deixa-nos ver todo o desnível que nos esperava no dia seguinte.

Após uma noite bem passada seguia-se a descida por um lindíssimo caminho junto ao rio e o regresso aos mais de 40º que estavam cá em baixo!

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Agora era hora do jantar de comemoração, uma noite bem dormida e uma longa viagem de automóvel de mais de 18 horas até casa.

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2 pensamentos sobre “Mulhacen – objectivo cumprido!

    • Fiquei perfeitamente convencido que as principais dificuldades são provocadas pelas decisões politicas que dificultam as ajudas ao problema que apareceu a estas pessoas e os custos inerentes à compra mensal dos consumíveis sem os quais não podem sobreviver. Existem os riscos e problemas inerentes à doença mas acho que são tudo menos os “doentes” que a sociedade acha que são.

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